quinta-feira, julho 27, 2017

Agora, sim, está tudo esclarecido



[6159]

António Costa explicou ontem, com a inabilidade do costume e a quase inintegibilidade das palavras comidas a meio que lhe enformam o discurso, que os argumentos da oposição eram “parvos”. Entre outras pérolas, mentiu também, sobretudo naquela jogatina que metia datas, número de vítimas ministério público, etc. Toda a cena se passa entre o secretário de estado (aquele que chora com Marcelo), a imóvel, queda e muda Constança e a comandante Patrícia, aquela senhora  que todos os dias nos vem dizer que as coisas estão difíceis, mas que temos não sei quantos homens no local, mais não sei quantos meios aéreos, mais não sei quantos meios terrestres, mais não sei quantos espanhóis, mais não sei quantas mudanças de direcção de vento, baixas de humidade (e vá lá que não tem havido raios, nem os relâmpagos do Baldaia) e nos explica como se estabelece as prioridades nos ataques dos incêndios.

À noite, a SicN dá uma entrevista com Pedro Nuno Santos, aquele fulano de barba esbranquiçada e bem aparada que se senta quase sempre à direita de Costa, aquele que disse não pagamos, os alemães que se pusessem a pau que ele ia lá e partia-lhes as pernas, não sei se foram estas as palavras exactas, mas qualquer coisa por aí. E para mim, valeu o jornalista ter aflorado o fato de Costa ter dito e repetido que o número de mortos de Pedrógão Grande era assunto esclarecido e que afinal não estava nada esclarecido. E é aqui que o fulano que diz que vai dar umas caneladas aos alemães e não paga diz que Costa disse isso, sim, mas depois disso o Ministério Público listou as vítimas e agora o assunto estava esclarecido (!!!).


*
*

Etiquetas:

quarta-feira, julho 26, 2017

Em rigor e em liberdade



Acho que se chama Patrícia e é suposta defender os civis. "Brifa" jornalistas... não se 1 se 100, as câmaras NUNCA mostram

[6158]

Volta e meia cruzo-me com esta senhora na TV que, aparentemente, faz um briefing diário sobre o desenvolvimento da situação dos incêndios, em obediência às normas emanadas da Geringonça.

Do que percebi antes, estes briefings destinam-se a formatar e normalizar o fluxo informativo da situação (Costa dixit) e supõe-se que sejam seguidos pela comunicação social. E digo supõe-se por NUNCA as câmaras rodarem para mostrar os jornalistas. Não sei se a senhora fala para um, dez, cinquenta ou nenhum jornalista. No local, continuo a ver repórteres a fazer perguntas a populares. Perguntas capciosas e inteligentes, como: Estão, está preocupada? Ou a presidentes de Câmara que vão dizendo qualquer coisa assim a modos que não querem dizer nada mas lá vão dizendo qualquer coisa. Isto entre gente ilustre que vai passando pelas objectivas como secretários de Estado e até o Presidente Marcelo ontem sacudiu o torpor e lá foi ele a Mação dizer que antigamente, na ditadura, que ele viveu, a informação era muito controlada. E agora, não. Era livre. Para mim isto soou um bocado a anedota, mas posso estar a exagerar, talvez Marcelo estivesse apenas bem disposto.

Mas desviei-me um pouco da ideia inicial. A tal senhora que aparece todos os dias no briefing é um exemplo acabado de um tipo de informação manipulador e, frequentemente, falso. Tudo o que acontece é grave, mas é brando. E fofo. Os helicópteros aterram em dificuldade em vez de se despenharem, o SIRESP falhou outra vez, mas a espaços e pontualmente (???) e por aí fora.

Fico na dúvida se este tipo de gente fala assim porque acha que é assim ou porque lhe dão um papel para ler – tipo cartilha de que falam muito agora, a propósito do futebol. O que é, no mínimo, confrangedor. E ridículo. No caso do helicóptero, por exemplo, enquanto a senhora falava, outra estação mostrava a foto de um helicóptero despenhado e retorcido, explicando o que se passou. Felizmente, com o piloto a salvo.

Nada disto é diferente do que se passava na ditadura que Marcelo ontem referiu. Só que dantes todos nós dávamos o desconto, sabíamos o que a casa gastava. E agora temos uma poderosa máquina de comunicação que nos convence que esta despudorada manipulação é feita com rigor e em liberdade.

NOTA: Não sei se ainda estou com sono ou se ouvi mesmo, ali nas notícias, Marcelo dizer três vezes: A luta continua, a luta continua, a luta continua. Deve ter sido sono. Meu.


*
*

Etiquetas: , ,

segunda-feira, julho 24, 2017

Inaceitável. Deplorável



[6157]

Não me ocorre de alguma vez se viver um período de tal mistificação do Estado com a que agora atravessamos.

À circunstância de a actual equipa do governo ser muito provavelmente a mais incompetente que alguma vez esteve no Poder e, para isso, basta ouvir o discurso (???) de ministros como a MAI, o de Defesa, o das Finanças, o da Saúde, só para citar alguns, para percebermos a impreparação de tal gente, o que só corrobora a ideia de que ocupam as pastas por conveniência e criteriosa escolha do primeiro-ministro. Para não mencionar exemplos como César, Ascenso e outras preciosidades. Simplesmente não conseguem articular um período completo sem erros ou duma exasperante sintaxe.

Se juntarmos a este fenómeno o facto de o primeiro-ministro mostrar sinais iniludíveis de uma total ausência de escrúpulos na consecução dos seus objectivos pessoais e de uma índole em que está bem patente a sua tendência para o totalitarismo, concluímos sem esforço que vivemos um deplorável período de atmosfera política de que, repito, não tenho memória. Não creio ser excessivo se afirmar que mesmo no consulado de Sócrates havia gente mais competente. Tal como havia um grupo de apoio que transitou, sem pudor, para a presente legislatura.

Esta notícia do Jornal Económico é um bom exemplo do que acabei de dizer. É uma atitude absolutamente amoral, totalitária e mostra bem o tipo de gente a que estamos sujeitos.


*
*

Etiquetas:

domingo, julho 16, 2017

Pesadelo em Elm Country




[6156]

Costa agora deu em gritar... as TV's não se calam, em obediência ao título que lhe outorgaram de político hábil (vá-se lá saber porquê...) e o homem grita, gesticula, acho mesmo que ralha por não percebermos bem o que este governo faz por nós... e agora já inclui mesmo a tragédia de Pedrógão e a vergonha de Tancos, “fechadas” as questões como causas naturais para Pedrógão e roubo de sucata no paiol.

O homem está possesso...acho, logo eu que não acredito no mafarrico, mas que o diabo veio, parece que sim. Só que em vez de lhe borrar a escrita do défice (uma das mais fraudulentas acções do homem), tratou de o possuir.

Isto está a tornar-se um pesadelo, O tom de voz, os temas, a forma, as mentiras e até as ameaças a empresas privadas (a bravata do energúmeno na AR sobre a Altice foi uma situação confrangedora...) e a aquiescência gelatinosa dos seus sequazes tornam este país um lugar só apetecível aos turistas, ainda que alguns deles possam estranhar as aparições histriónicas da criatura na TV e puxem do GPS para confirmar se estão mesmo na Europa.

Alguém que diga alguma coisa. Alguém que seja ouvido. Uma ou outra entrevista avisada, como a de António Barreto não chega. E as reclamações por aqui não têm peso específico porque são tituladas de excrescências de “direitolas” que se entretêm a falar mal da geringonça nas redes sociais. Alguém, ainda que minimamente, possa explicar ao Presidente Sousa (por sinal muito calado ultimamente, benza-o Deus) que não há um plano de recuperação, uma reforma estrutural, qualquer que seja, que nos livre da dívida, dos juros e do papel de idiotas bacanos que estamos para aqui na ponta da Europa, à conta de nos mandarem uns trocos. E que se deixe de assustar os investidores e se produza cabalmente um programa de desenvolvimento económico como deve ser. Como dizia o já saudoso Medina Carreira.

E se acabe com esta treta das esquerdas, maravilhadas como andam com o gosto do Poder mas, hélas, o essencial permanece. São forças que lidam muito mal com a liberdade e a democracia (excepto com as que lhes dão) e que, podendo, tornam isto tudo numa Venezuela qualquer, assim como assim, o objectivo último desse pessoal. Da agressiva Catarina ao fofinho (no dizer jocoso do João Miguel Tavares, não sei bem porquê…) do Jerónimo.

Até lá, vamos resistindo. Mas cansa. E dói. E preocupa pelos filhos, pelos netos e pelos filhos dos netos e netos dos netos Este país está mal e um dia destes fica "redondo", entenda-se, sem ponta por onde se lhe pegue.

Uma última coisa. Não há um jornalista, “unzinho” que seja, que explique à pateta Catarina que a PT entrou em fragmentação no tempo de Guterres, depois em total regabofe no tempo de Sócrates e que o anterior governo se limitou a apanhar os cacos? Ninguém lhe diz que os grandes culpados daquela tragédia, incluindo o provável despedimento de uma centena de trabalhadores, se deve ao Partido com quem ela anda agora de namoro? É assim tão difícil de lhe explicar? Por qué no te calas, Catarina? Relaxa e compra o livro do “direitolas” Alberto Gonçalves. Talvez te ajude.


*
*

Etiquetas: , ,

sábado, julho 15, 2017

Rir é o melhor remédio, dizia o "Reader's"... mas pode dar úlceras, também.




[6155]

A propósito do riso alarve com que somos brindados diariamente pelo nosso primeiro-min…isso. Projecto-me nesse riso, de patologia não inteiramente definida, muitas dezenas de vezes nos modestos posts que vou por aqui deixando.

Este post do Alberto Gonçalves (ainda não comprei o livro…) fala no riso com o engenho e a graça que são as suas marcas de água, pelo que passo a “linkar”. O que me dá também a satisfação de verificar que não sou o único a recear uma úlcera duodenal “à cause” do riso alarve da criatura que referi. Deixo uma pequena amostra, mas ler tudo, linha a linha, é essencial. No fim, só não acabamos a rir, porque muito provavelmente acabaremos a chorar. De raiva e desespero.

Nota: A coisa pega-se e torna-se uma imagem de marca. Uma tal Anabela Neves, habitualmente repórter da SicN na AR ainda ontem não resistiu a uma espécie de riso múltiplo quando, com o seu titubeio habitual, noticiava que o CDS pedia a demissão de dois ministros (e aqui solta-se-lhe o riso... mas solta mesmo), mas o primeiro-ministro (nova risada) só demitiu secretários de Estado.

 E então, vejamos:

«…É natural. Já Orwell falava no riso cruel dos ditadores. E um inglês muito antigo atribuía-lhes o “riso artificial”, uma “mistura de hipocrisia, maldade e prazer bárbaro”. Sempre que escorrega para o autoritarismo, ou que deriva do dito, o poder raramente evita a troça alarve. Há anos, por acaso ou delírio, ocupei um serão na companhia da televisão pública de Caracas. Acima da propaganda e da manipulação, o que saltava à vista era o vasto gozo dos indivíduos que mandavam a expensas dos indivíduos que oprimiam. Num “debate”, dois “chavistas” e o “moderador” entretinham-se a escarnecer dos representantes da oposição (evidentemente ausentes) – não porque estes não tivessem razão, mas porque não tinham voz. Por mim, nunca vira em directo tamanha exibição de desumanidade. E não penso que a natureza dos “chavistas” de cá, estimulada por sondagens e a geral irresponsabilidade do sistema, seja essencialmente distinta…»

Ler o artigo todo do Alberto Gonçalves aqui.


*
*

Etiquetas: ,

Post a cheirar mal



[6154]

O que é que um presidente da Assembleia da República tem que achar a justiça um absurdo? Provavelmente pelas mesmas razões que um primeiro-ministro se permite publicitar negativamente uma empresa privada, ou até informar o rebanho que usa um servidor de comunicações que NÃO é a Altice.

Tudo farinha do mesmo saco. Sem sentido de Estado e sem a mínima noção do decoro e da responsabilidade e dignidade que deviam conferir aos cargos que ocupam. Um desastre. A vergonha. A balbúrdia. Coisas boas para a Esquerda totalitária. Como habitualmente, a Esquerda tem jeito para o escarcéu mas não tem a mínima noção dos meios de que dispõe para fazer prevalecer a lei e a Constituição. Se Costa acha que a Altice funciona à margem da lei, pois não tem mais que fazer aplicá-la. A lei. E sobre os prováveis despedimentos no pipe-line da PT bem podem agradecer a Costa o empurrão.

Já Ferro, se acha que a justiça é um absurdo, pois tem os meios regimentais para usar no sentido de deixar de ter absurdos a fantasmagorizar-lhe a parte intestina do corpo. E se o PS não tem estrutura intelectual para o perceber deveria, pelo menos, reservar um módico de dignidade para este tipo de "desabafos".


No caso particular de Ferro Rodrigues, pela lógica ele deveria estar a cagar-se para o absurdo da justiça. Porque cagar-se para qualquer coisa está em linha mais directa com a sua índole e compostura, em natural obediência às dejecções muco-membranosas do seu centro de loquacidade. Ao ponto de conseguir que as pessoas cada vez mais se estejam a cagar para ele. O que, no mínimo, é um deplorável “mau aspecto”. Para além de ser quase tão fedorento como esta tralha socrática que nos atanaza o juízo e nos conduz para um iminente desastre. Mais cedo do que tarde.


*
*

Etiquetas: , ,

terça-feira, julho 11, 2017

Ó xô guarda venha cá, venha ver o quisto é...





[6153]

Hoje há um dado adquirido de que a popularidade de um governo se faz por via de estafadas bandeiras de “esquerda”: formação de um exército tão grande quanto possível de funcionários e atribuição de aumentos ridículos de salários e pensões. Paralelamente, a demonização do patrão, a actividade privada e as grandes negociatas são igualmente imagens de marca de sistemas e regimes que devem ser postergados, mesmo correndo o risco de os eleitores percebendo que o Estado é o principal artífice desta corrupção, através dos seus mentores e, com assustadora frequência, dos seus próprios governantes.

Isto explica de algum modo que, apesar dos acontecimentos das últimas semanas, Pedrógão, Tancos e crescente número de agentes constituídos arguidos, a popularidade do governo continua em alta. Porque as pessoas estão naturalmente e sempre mais interessadas no seu benefício pessoal do que na sanitização da vida política e os seus resultados numa sociedade realmente mais justa, com menos desigualdade social e mais desenvolvimento e qualidade de vida.

Costa sabe disto. Por isso me enerva verificar como a comunicação social, amestrada e/ou castrada por uma cadeia de benefícios atribuídos e que podem ser retirados de supetão e vários outros agentes disseminadores da ideia de que Costa é um político hábil, continua a fazer escola. Porque Costa está longe de ser um político hábil. É um indivíduo grosseiro, inculto, malcriado e que não hesita em pôr em prática aquilo que mais facilmente aprendeu. Cultivar e alimentar a felicidade popular por via de medidas adequadas, basicamente referidas acima e, ainda a manutenção de clientelas (é um termo estafado, mas é o mais adequado) estabelecidas sem a menor hesitação ou decoro, como acontece na esmagadora maioria das instituições que são imediatamente inundadas de “boys”, no início de cada legislatura (o exemplo da defesa civil em Pedrógão é flagrante). Mesmo quando, como o pateta Guterres fazia simultaneamente com o aviso de que a partir dele “no jobs for the boys”, uma frase que os jornalistas aplaudiram freneticamente.

Por isso eu acho que Costa não é hábil. É esperto, o que é muito diferente. E se esperteza nem sempre é “pecado”, neste caso particular é. Porque Costa prossegue uma estratégia adequada a manter a sua popularidade, mas mantendo os eleitores num atávico estado de espírito de alegria e conforto que os conduz a uma quase permanente preferência pelo socialismo e pelos socialistas. Com as inevitáveis consequências de aviltamento e carências na maioria dos serviços públicos, dos transportes à saúde, passando pela justiça e outros. Vistas bem as coisas, nada disto é diferente daquilo que Salazar era acusado, como manter a iliteracia, o caldo verde quentinho a fumegar na tigela, o S. José de azulejo e duas rosas no jardim, orgulhosamente sós. È uma questão de adequação à época e ver o que realmente é diferente – nada. Manter as ovelhas apascentadas, agora com o auxílio dos meios modernos como as selfies e o advento de afectos cúmplices.

Costa percebe isso e não hesita em comprometer os destinos do país para regalar o corpo e o espírito com o “panache” de ser primeiro-ministro. Acolitado por um séquito de “puppies" que se lhes tirassem o tacho e tivessem de ir para o mercado de trabalho não sabiam fazer a ponta de um… isso. Por isso Costa não é apenas incompetente. É mau, também. Má índole e mau carácter. Não é pelo que aprendeu na cartilha internacionalista que ele age. É por ele. À custa de todos nós. E isso dói.

Nota: Ler aqui a Porta da Loja.


*
*

Etiquetas: , , ,

segunda-feira, julho 10, 2017

Duas portuguesas no Chiado



Clic on pic to see how chic...

[6152]

Hoje tenho andado um bocado a correr. Mas não quero deixar de registar esta foto porque daqui a um ano ou dois, o Facebook vai-me avisar naquele “you have memories”. E eu revejo a foto e vou-me lembrar que ontem passei o dia com a minha netita Stella que está a esta hora a voar para Maputo, juntamente com duas amiguinhas dela que levei propositadamente de Cascais e a minha filha mais nova, tia dela.

Estivemos um par de horas no Chiado, claramente segregados pela juventude das meninas, delirantes por estarem juntas. Segregados eu, a minha filha e o respectivo e corpulento cão que está com o pêlo cada vez mais bonito e brilhante porque se alimenta exclusivamente a Petfield Premium (é desta que eu ganho a lagosta…).

À hora de irmos embora, a Stellinha pediu-me para tirar uma foto das duas (neta e filha) para mandarmos para um destino que ela decidiu. Foi o que fiz. E registo aqui a foto, então, para receber o "you have memories" daqui a um ano. E também porque às vezes esqueço-me... e uma simples foto me lembra que tenho uma filha linda e uma netinha linda também. E isto é apenas uma amostra de mais uma filha e mais um filho e mais dois netos, todos lindos de morrer. 

E eu só posso ter que agradecer às mães, porque quando acordo e me olho ao espelho, antes da barba e do duche, referir as mães é uma incontornável questão de justiça.


*
*

Etiquetas: , , ,